segunda-feira, 20 de junho de 2011

O MOTIVO
Vivendo cerca de 40 anos na Inglaterra e trabalhando há muito tempo, finalmente,  esse ano, minha irmã se aposentou e ficou sem saber se permanecería onde estava ou se voltaría para o Brasil. Nenhum problema não fossem o filho e os netos além do fato de viver tanto tempo  fora  do seu país,  o que certamente causaría alguma dificuldade de adaptação. Eis aí o porquê da necessidade de passar uma temporada maior sem ter que voltar correndo por causa do trabalho.
Sempre que ela vai de férias ao Brasil, é por apenas 6 semanas e isso faz com que sua  agenda fique lotada de compromissos, todos querem vê-la, então é um jantarzinho aquí, um almocinho acolá, "venha passar um fim de semana comigo",  dizem, mas isso faz com que ela viva uma situação fictícia, afinal, embora quase toda família resida no Rio de Janeiro, às vezes só nos falamos por telefone, é preciso que haja um acontecimento ou mesmo que marquemos uma data do contrário, só nos encontramos no Natal, é mole?
Sendo assim, ela passará os próximos meses em minha casa, como se alí vivesse, fazendo compras, indo ao banco, tomando todas as providências necessárias ao bom andamento doméstico e eu farei a mesma coisa aqui, só que vou aproveitar a oportunidade e viajar mais que nunca! Pretendo passar uns dias na Espanha com uma amiga e, juntamente com duas outras, percorrer o vale do Loire, conhecer Budapest, Viena e talvez Berlim. Sobrando tempo, energia e dinheiro, ainda irei à Irlanda e País de Gales, aí, sim, terei muito o que postar, rê,rê,rê...
Uma nova aventura
Não querendo transformar meu blog num diário, passo longo tempo sem postar uma linha sequer à espera de um acontecimento que valha a pena ser relatado, e este se apresentou.
Ano passado, quando da minha costumeira estada na Inglaterra, minha irmã e eu decidimos que desta vez faríamos uma troca: ficaríamos alguns dias juntas, e depois ela iría para o Brasil por mais ou menos cinco meses e eu permanecería na casa dela pelo tempo equivalente.
Como sempre, na conversa, seja qual for a idéia, esta pareceu ser a melhor do mundo  mas nada me preparou para uma certa ansiedade que se instalou quando o momento de realizá-la chegou, explico, estou mais do que habituada a viajar sozinha mas jamais fiquei por minha conta por tanto tempo. Será uma experiência nova, em outro país, longe da minha família.
Claro que nada me impede de voltar ao Brasil se não aguentar a barra mas gostaría de tentar viver o dia a dia neste país que para mim é como se fosse uma segunda pátria, afinal falo inglês e as inúmeras vezes em que aquí estive me ensinaram a me movimentar com  alguma  desenvoltura por várias localidades, teoricamente, não terei problemas, so help me God!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Expectativa

A perspectiva de uma viagem sempre propicia uma expectativa com relação ao lugar a ser visitado. 
A imaginação "viaja na maionese" principalmente quando se trata de lugares exóticos como o Oriente Médio! 
Frustrada a ida ao Egito e depois da visita à Espanha, concentramos as baterías na Terra Santa, tão significativa para nós, católicos! 
Jerusalém trouxe imediatamente à lembrança, as aulas de religião no colégio, os filmes bíblicos que relatam com tanto realismo a passagem de Jesus pelo mundo! Com a cabeça repleta dessas imagens, preparamo-nos para muita emoção esquecendo que Israel abriga as três maiores religiões do mundo: muçulmana, judáica e católica, se não me engano, nessa ordem! Tal sincretismo faz com que se misturem mesquitas, sinagogas e basílicas, cada qual tentando marcar seus lugares de veneração. Três vezes por dia, a voz do muezín amplificada por poderosos alto-falantes se fazia ouvir nos quatro cantos da cidade, impressionante cantilena que provocava arrepios nas sobrancelhas e o moto-contínuo do lamento dos judeus no Muro das Lamentações, dava um nó na garganta!
Pela distância entre as cidades, a visita aos lugares santos não obedeceu à cronologia dos fatos. Cidades como Nazaré, Cafarnaum, Belém e suas basílicas maravilhosas se sucederam até que por fim, retornamos a Jerusalém e chegamos à Via Dolorosa! 
Em todos os sentidos!!! Tive a impressão de ter entrado na rua da Alfândega!!! Tratava-se de uma rua de comércio como outra qualquer, com grande movimento de motos e pequenos veículos que buzinavam furiosamente para nós e apenas placas de pedra indicavam as Estações do caminho de Cristo rumo ao Gólgota! Foi-se a concentração, o espírito de oração, enfim, uma decepção!!!
Não tem jeito, turista sofre, paga por isso e...FAZ DE NOVO!!!

Excursão

Mario - Uri - Khalil
Excelente para quem jamais viajou!
Os itinerários programados contam com guias locais qualificados que fornecem um volume enorme de informação sobre os pontos escolhidos e abrem muitas portas. Não enfrentamos filas, já que na maioria das vezes os ingressos aos locais estão garantidos, evitando que passemos em branco por lugares importantes.
Acontece que as empresas oferecem um roteiro muito extenso a ser realizado em pouquíssimo tempo. Há muita coisa para ver e os guias têm uma tarefa a cumprir, vai daí que o que era para ser lazer e pura apreciação de lugares fantásticos, transforma-se numa maratona, uma corrida desenfreada contra o relógio e ao fim do dia, fica uma certa frustração, faltou tempo para as tão necessárias fotos e, visitar o comércio local, sempre muito atraente, foi impossível já que há interesse dos guias em levar-nos a estabelecimentos onde recebem comissão sobre as vendas.O dia citado na programação como livre, é na realidade passado arrumando bagagem para outra viagem ou correndo para o aeroporto...Faz parte, depois a gente dá muita risada relembrando os fatos, faz novos amigos e passa um mês tentando se recuperar do tranco  ; D ...
Não pretendo participar de outra loucura dessas, a próxima viagem será do meu jeito: comprar os passeios dos vários oferecidos pelos hotéis e tirar ao menos um dia de folga para longas caminhadas, de preferência à beira de um rio, antes de partir para outro lugar, caso o deseje!
Nem tudo foi tão ruim, o grupo era bastante animado e de muita camaradagem, arrumamos uma "cozinha" no fundo do ônibus, ponto de reunião e de muita conversa e risada para uma meia dúzia, que causou inveja em  quem não quis se juntar a nós! Lena e eu ficávamos horas relembrando os fatos mais engraçados antes de dormir, ríamos tanto que uma noite duas companheiras de viagem reclamaram... 
Uma palavra de elogio ao guia em Jerusalém, Uri, conhecedor profundo da história e da geografia locais, ao motorista Khalil e principalmente Mário, guia brasileiro, muito simpático, que nos acompanhou na Espanha e na Terra Santa.

Conseguimos...apesar de tudo...

A situação no Egito gerou uma ansiedade muito grande, além da tomada de consciência do grito de liberdade de um povo oprimido, despertou aquele lado egoísta que procuramos camuflar: o que fazer depois de tudo decidido, pago e sacramentado? Cancelar a viagem é a primeira idéia que ocorre, afinal ninguém quer se envolver numa guerra ancestral e mais ainda, viajar para um território conflagrado, beira as raias da loucura! Estávamos às vésperas da viagem e a perspectiva de perder dinheiro era grande, já que o seguro não cobre esse tipo de situação... Um longo fim de semana, sem possibilidade de qualquer atitude, fazendo às vezes de avestruz enterrando a cabeça na areia ao evitar acompanhar o noticiário, se arrastou até segunda-feira quando recebemos um comunicado da agência informando que o itinerário havia sido mudado, os dias destinados ao Cairo seriam passados na Espanha, o que foi muito bom pois visitaríamos Toledo, Ávila e Segóvia além de passear por Madri que caso contrário, sería vista por um óculo. Respiramos aliviadas, demos adeus às Pirâmides, à Esfinge e ao passeio noturno pelo Nilo e embarcamos nessa aventura maravilhosa que é viajar!
Conseguimos, apesar de tudo! Quem sabe, um dia, restabelecida a paz tão sonhada possamos realizar o desejo de conhecer a Pérola do Nilo!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O imponderável ataca outra vez!

Passado o período de ansiedade anterior à cirurgia finalmente realizada na segunda semana de janeiro, graças a Deus um sucesso e tendo me recuperado em um tempo mínimo, comecei realmente a curtir a viagem agora cada vez mais próxima. No dia que recebí o material enviado pela empresa de turismo, fiquei tal qual pinto no lixo, aliás, só quem já viu essa cena pode imaginar quão apropriada é a expressão, a satisfação do bichinho é patente!
Esta nota marcou o tom dos dias que se seguiram, separar roupas, sapatos, tênis confortáveis, enfim, o necessário para alguns dias de puro deleite, até que hoje, ao ver o noticiário na tv logo de manhã, fui surpreendida pelos acontecimentos no Cairo para onde iremos depois de passar por Madrid!
Quase não pude acreditar nos meus ouvidos! Não é possível, mais um stress!?
Imediatamente me lembrei do ano passado quando o acesso de tosse do vulcão islandês e a greve dos funcionários da companhia de aviação quase nos impediram de viajar! Ah, não! De novo!!!
Diante de fatos independentes da nossa vontade, só há dois caminhos: entrar em pânico e considerar tudo perdido ou deixar nas mãos de Deus e esperar o desenrolar dos fatos. Eu esolhí o último...

Atualizando

Faz tempo não escrevo uma linha sequer, não sei o que acontece, se falta assunto ou é preguiça mesmo...ou ainda, nada de novo aconteceu, a vida retomou sua rotina, academia, uma eventual saída ...quem quer saber sobre rotina? Eis que, de repente, uma ligação da Lena sacudiu a mesmice: "o que você acha de irmos à Terra Santa", perguntou-me ela. Na mesma hora, a familiar coceirinha no pé provocada pelo bichinho viajeiro assanhou e eu que vinha pensando em ir ao Canadá, mudei o foco imediatamente.
Como para mim uma viagem começa no momento em que se planeja, entrei no clima e comecei a me preparar para fazer algo completamente diferente, explico, é um mundo que eu ainda não conheço e, embora fascinante, jamais esteve nos meus planos. E daí, eu não estava reclamando da mesmice?
Feitos os arranjos, compra do pacote e outras providências, entramos em compasso de espera, estávamos quase no final do ano e a viagem sería em fevereiro, só nos restava ter paciência, conter a ansiedade e deixar o tempo passar. Fácil, fácil, com a proximidade do Natal, costumo fazer guloseimas para vender e presentear, isso me ocuparía o corpo e a mente mas uma surpresa me aguardava, um certo desconforto no lado direito que vinha incomodando há algum tempo e que eu atribuía à má postura nas longas horas curvada sobre um trabalho, se "materializou" numa crise de vesícula cujo tratamento é cirúrgico. Dammit, como é que pode? O ano inteiro para acontecer e justo no final, com as Festas batendo à porta e com elas, as férias, foi enorme a dificuldade para marcar os exames pré-operatórios e sem eles, nada de cirurgia. 
Comecei a ficar nervosa, havería tempo hábil para a cirurgia e principalmente para a recuperação? Como é sabido, anda-se literalmente como camelo, neste tipo de excursão...r,r,r,r...
Já tinha conseguido um grande feito, a atividade na academia combinada com uma dieta eficiente tinham-me feito emagrecer 13 quilos, estava portanto, a passos largos, voltando à forma, e aí, se eu não me recuperasse a tempo? 
Meus filhos foram fundamentais nesse momento, em longos papos ao telefone, um deles ensinou-me a filosofia de viver o presente sem querer antecipar o futuro, e o outro me disse que quanto mais difícil a conquista, maior é o valor quando se alcança. Valeu!!!