sábado, 22 de outubro de 2011

Mar Morto


Com uma superfície de aproximadamente 1050 km2, 80 km de comprimento e 18 km de largura, o Mar Morto é alimentado pelo Rio Jordão e banha a Jordânia, Israel e a Cisjordânia.
Nos últimos 50 anos, perdeu um terço da sua superfície, em grande parte por causa da exploração excessiva de seu afluente, única fonte de água doce da região, além da evaporação natural. A contínua perda das suas águas causa uma também contínua redução em sua área e profundidade, cerca de 417 m abaixo do Mar Mediterrâneo, o que faz com que seja a maior depressão do mundo.
A grande quantidade de sal por ele apresentada, é dez vezes superior à dos demais oceanos, sendo então  muito escassa a vida em suas águas já que qualquer peixe que seja transportado pelo Rio Jordão, morre imediatamente, assim que desagua neste lago de água salgada. Em termos de concentração, o teor de sal no Mar Morto é de 30 a 35 g de sal por 100ml de água. Essa grande quantidade de sal aumenta sua flutuabilidade.
Depois de visitar Massada, descemos para tomar banho no Mar Morto. Imperdível! A gente bóia como rolha e não é muito fácil sair da água que é viscosa como óleo saturado. O fundo é uma lama preta, grudenta mas todos fizeram questão de cobrir o corpo com ela por suas propriedades terapêuticas. Fomos avisados para não colocar a mão nos olhos ou engolir água, o ardor é intenso e a ingestão, mesmo acidental, provoca vômito. Dei o azar de levar um baita tombo ainda na areia, esfolei os joelhos, o queixo e sujei a boca. Além do "mico", ardeu pra burro quando entrei na água e meus lábios incharam pois tentei limpá-los com a mão molhada, damn, damn, damn...Depois, uma chuveirada refrescante para tirar a lama e o sal do corpo. Valeu!!!

Massada

DESERTO DA JUDÉIA
Massada fica às margens do Deserto da Judéia, num platô com vista para o Mar Morto. Esta foi a última fortaleza defendida pelos judeus zelotes que se recusaram a submeter-se à ocupação romana. Quando eles não puderam mais se defender, Massada tornou-se pano de fundo para um dos episódios mais dramáticos da História Judaica.
"A COBRA"
Erguendo-se cerca de 400 metros acima do deserto ao redor e cercada por profundos desfiladeiros, o platô de Massada era naturalmente fortificado. A leste, a terra apresenta um forte declive até o Mar Morto. O caminho daquele lado era (e ainda é) chamado de “A Cobra”, por suas curvas estreitas e sinuosas. O único outro acesso, no lado oeste, é apenas um pouco mais transitável.
O Rei Herodes – governador de Israel que se curvava aos romanos – construiu uma elaborada fortaleza sobre o topo desta montanha, incluindo espaçosos palácios, luxuosas casas de banho, depósitos bem estocados e doze enormes cisternas. Embora ele tenha construído a fortaleza por medo (ou paranóia) do Egito, ela lhe servia também como local de descanso.
Anos depois, Massada tornou-se um refúgio para os judeus zelotes que resistiam ao domínio romano. Eram liderados por Elazar ben Ya’ir. Após a conquista de Jerusalém e a destruição do Segundo Templo, mais judeus juntaram-se ao grupo. Eles resistiram aos esforços romanos para desalojá-los e usaram Massada como sua base para ataques (contra os romanos e contra facções judaicas inimigas). Com os alimentos perfeitamente preservados que Herodes tinha em estoque, bem como a água das cisternas, eles puderam resistir indefinidamente.
O governador romano Flavius Silva decidiu eliminar de uma vez este posto de resistência. As 15.000 pessoas do acampamento romano, que incluíam a Décima Legião Romana e os prisioneiros de guerra judeus, se prepararam para um longo cerco contra os 1.000 homens, mulheres e crianças na montanha.
Após falhar em romper a muralha pelo lado leste, eles construíram uma longa e ampla rampa de ataque contra o lado oeste, usando milhares de toneladas de pedras e terra. Então, usando um aríete de ataque, quebraram a parede de pedra da fortaleza. Os defensores tinham construído outra parede que os romanos não conseguiram romper com o aríete porque era mole e recuava com os golpes. Os romanos destruíram esta parede com fogo, e planejaram entrar no dia seguinte.
Naquela noite, Elazar reuniu todos e falou com eles. Decidiram morrer para não cair nas mãos dos romanos. Cada homem matou a própria esposa e filhos, então fizeram sorteios e se mataram entre si até que o último homem ateou fogo ao próprio corpo e morreu.
Pela manhã, os romanos entraram na fortaleza e encontraram apenas cadáveres.
Duas mulheres e cinco crianças tinham sobrevivido ao suicídio em massa escondendo-se numa cisterna, e foi assim que a história se tornou conhecida ao historiador Josephus, que a registrou. Josephus é a única fonte importante de informação sobre Massada. Desde que o cerco a Massada foi identificado em 1838, descobertas e escavações têm ocorrido regularmente. O Parque Nacional de Massada foi aberto em 1966.  (Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre)







Venho utilizando a Wikipedia como fonte em várias postagens pois a memória não ajuda e já faz tempo que visitei o Oriente Médio. Embora não pretenda conferir um caráter didático ao meu blog, tem sido muito bom pesquisar a respeito de tantos lugares visitados.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Via Dolorosa

A visita mais esperada era à Via Dolorosa e para lá nos dirigimos cheios de emoção.
Via Dolorosa é uma rua na cidade velha de Jerusalém, que começa na Porta de Santo Estêvão e percorre a parte ocidental da cidade velha de Jerusalém, terminando na Igreja do Santo Sepulcro.
De acordo com a tradição cristã, foi por este caminho que Jesus Cristo carregou a cruz. A rua possui nove das catorze estações da cruz. As cinco últimas estações estão no interior da Igreja do Santo Sepulcro. Entretanto, é impossível que Jesus tenha passado por ela, já que a rua não existia antes de um século após sua morte. 
ENCONTRO DE JESUS COM AS MULHERES DE JERUSALÉM

As estações da cruz

Primeira estação
A primeira estação encontra-se junto ao Mosteiro da Flagelação e lembra o sofrimento de Jesus ao ser chicoteado por seus algozes.
Segunda estação
A segunda estação encontra-se próxima dos restos de uma construção romana, conhecida hoje em dia por Arco do Hecce Homo em memória das palavras de Pôncio Pilatos quando mostra Jesus Cristo à multidão.
Terceira estação
A terceira estação lembra a primeira queda de Jesus Cristo. Hoje em dia, o local tradicional está marcado por uma pequena capela pertencente ao Patriarcado Armênio de Jerusalém.
Quarta estação
O encontro entre Jesus e sua Mãe. Atualmente, no local existe um pequeno oratório.

Quinta estação
Sobre uma porta existe um inscrição que lembra o encontro entre Jesus Cristo e Simão Cireneu a quem os romanos ordenam que carregue a cruz de Cristo até o Gólgota.
Sexta estação
O encontro entre Jesus e Verônica, quando esta limpa a sua face com um tecido que fica com as suas feições, assinalado por uma igreja pertencente ao rito greco-católico
Sétima estação
A sétima estação assinala a segunda queda de Jesus. Uma coluna na esquina da Via Dolorosa com a Rua do Mercado marca o fato.
Oitava estação
O encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém. O local é assinalado por uma cruz enegrecida pelo tempo, esculpida na parede de um mosteiro ortodoxo.
Nona estação
A terceira queda de Jesus. O local está assinalado por uma coluna da era romana, à entrada de um mosteiro copta. 
Toda antecipação e emoção de pisar o solo que Jesus supostamente percorreu se foi ao depararmos com ruas repletas de lojas, comerciantes literalmente nos arrastando na ânsia de vender e o guia, implacável, tomando a dianteira e impedindo-nos de parar para as compras! Buzinas impacientes faziam-se ouvir e o barulho ensurdecedor dos tuck-tucks e motos quase nos enlouqueceu. Chovia e acabamos por nos perder na multidão, por sorte, nosso guia brasileiro estava conosco. O espírito de devoção evaporou e mal tivemos tempo de parar nas Estações da Via Sacra, provavelmente por isso, ficou uma sensação de irrealidade, como se jamais tivéssemos estado por lá, daí talvez o porquê de ter falado tão pouco sobre essa viagem! Como em toda excursão, é tudo muito corrido, oferecem quantidade em detrimento da qualidade. Seria preferível visitarmos menos locais, para ficar mais tempo nos realmente importantes.

Finalmente, Jerusalém!

JERUSALÉM
 MESQUITA AL-AQSA
A viagem prosseguiu, com algumas paradas para esticar as pernas e atender às necessidades básicas de alimentação e toilette e, no final da tarde um tanto enevoada, Jerusalém surgiu, branquinha, numa curva da estrada, linda, as edificações se destacando no crepúsculo e o maravilhoso domo de ouro da Esplanada das Mesquitas dominando a paisagem! Ao redor da  cidade, a antiga Muralha com 7 portas. Até 1850, a população vivia dentro das muralhas cujas portas se fechavam ao anoitecer. Jesus entrava pela Porta do Ouro para dirigir-se ao Templo.
Ficamos num hotel maravilhoso, enorme, com quartos confortáveis e refeições fartas, muito bom! 
MURO DAS LAMENTAÇÕES
No dia seguinte fomos visitar o Muro das Lamentações que é o lugar mais sagrado e venerado pelo povo judeu por tratar-se da única relíquia do último templo. O Muro Ocidental é uma pequena parte da muralha que Herodes construiu no ano 20 a.C., em redor do segundo Grande Templo. No ano 70, quando da destruição da cidade por Tito, este deixou de pé esta parte da muralha com seus enormes blocos de pedra, a fim de mostrar, às gerações futuras, a grandeza dos soldados romanos que foram capazes de destruir o resto da edificação. Durante o período romano não era permitida, aos judeus, a entrada em Jerusalém. Entretanto, durante o período bizantino, lhes foi permitido entrar, uma vez por ano, no aniversário da destruição, quando lamentavam a dispersão de seu povo e choravam sobre as ruínas do Templo. Daí o nome: Muro das Lamentações. O costume de orar junto ao Muro continuou durante o decorrer dos séculos. Entre 1948 e 1967 o acesso ao Muro foi novamente proibido aos judeus, já que ele se encontrava na parte jordaniana da cidade dividida. Depois da Guerra dos Seis Dias, o Muro das Lamentações converteu-se em um lugar de jubilo nacional e de culto religioso. 
Visitamos também a Mesquita da Ascenção, a Igreja Ortodoxa Russa, onde segundo os gregos, Maria está enterrada e a Igreja Católica onde segundo a tradição, Maria adormeceu e foi elevada aos Céus.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O grupo


Enquanto esperava as "amazonas" passearem de camelo, comecei a conversar em inglês com o nosso motorista, Khalil, que era árabe. Ainda me lembro de algumas palavras isoladas em árabe, afinal convivi muitos anos com a família do meu marido, que era libanesa, embora haja alguma diferença devido às várias regiões de origem, o sentido é o mesmo, obviamente isso não acontece com a escrita da qual não sei um rabisco sequer! 
Nesse dia, ele estava fumando e apagou o cigarro quando me aproximei e eu então disse "Chukram" em agradecimento à gentileza da atitude.
Uma das companheiras ouviu, perguntou o significado e decidiu usar o que aprendera, e mais tarde, ao agradecer alguma coisa disse bem compenetrada, "Chucrute!", as lágrimas me rolaram pela cara de tanto rir...e eu ainda tive que explicar o que era chucrute ao espantado Khalil!
Uma outra, ao ouvir a palavra "tomorrow", desandou a cantar, "tomorrow, num país tropical..." e não era de brincadeira já que ela não era capaz de dizer algo em inglês nem para salvar a vida! Mais olho arregalado do pobre Khalil que apesar das loucuras, adorava "bater papo" conosco.
Fora as "malas sem alça" que sempre aparecem mas que eram poucas, graças a Deus, de um modo geral a turma era muito legal e topava qualquer brincadeira.
Por acaso, tínhamos um grande número de advogados e até delegados. Uma delas sempre dizia num sotaque bem carregado: "Fulana, venha cá! Olha que eu lhe prendo e não há "habeas corpus" que lhe solte!" Isso, com o dedo em riste, a la Tieta do Agreste!
Nesse clima de camaradagem, prosseguimos a nossa viagem com muita risada, durante o percurso e mesmo depois, ao relembrarmos algum fato...Foram dias muito agradáveis que agora estou revivendo, ainda tentando entender por que deixei de mencioná-los!

sábado, 20 de agosto de 2011

A caminho de Jerusalém



Continuamos nossa viagem em direção à Jerusalém, passando por Jericó, no limite com a Jordânia e a Palestina. A paisagem é dramática, quase lunar, um deserto árido e pedregoso por onde Jesus caminhou. Nas montanhas há um marco do lugar onde Ele passou 40 dias sendo tentado por Satanás. A menção de tal fato, propiciou uma pérola: "Jesus foi um tri-atleta", disse alguém e eu só perguntei em quais modalidades, for God's sake?!
De vez em quando, um oásis, cheio de tamareiras, cujos frutos frescos constituem um dos principais alimentos dos beduínos que por ali vagueiam, aliás, elas são deliciosas, carnudas e suculentas, tem alto valor proteico, açúcar, fibras e ainda matam a sede! Tive oportunidade de comê-las no almoço num restaurante à beira da estrada que constou de tilápia assada na brasa, batatas e tâmaras frescas de sobremesa, maravilha!
TAMAREIRAS
Mais algum tempo de viagem e chegamos a Qumram onde viveram os Essênios, um grupo de judeus separatistas, cujos membros formaram uma comunidade monástica ascética que se isolou no deserto. Consta a existência de cerca de 4000 membros espalhados por aldeias e povoações rurais. 
MANUSCRITOS DO MAR MORTO
CERÂMICA
Vestiam-se sempre de branco, acreditavam em milagres pela mão, aboliam a propriedade privada, eram vegetarianos, não se casavam, tomavam banho antes das refeições cuja comida era sujeita a regras de purificação. Não tinham amos nem escravos, os sacerdotes ocupavam o topo da ordem.
Qumran tornou-se conhecida pelos manuscritos em pergaminhos que levam seu nome, também chamados Pergaminhos do Mar Morto ou Manuscritos do Mar Morto. Os Essênios foram os precursores do Cristianismo, pois a maior parte dos ensinamentos de Jesus, remete ao ideal essênio de vida espiritual.
Dentre as atividades que exerciam estava a confecção de utensílios domésticos em cerâmica.
                                                                                                                                                                    
Depois da visita a Qumram, fizemos uma "parada técnica" e assim que descemos do ônibus, apareceram os adestradores de camelos com os ditos pelo cabresto, $3.00 por uma volta no bicho! Caramba! São enormes! Dessa vez, "amarelei", sofro de labirintite e tive medo de ficar tonta por causa da altura e do galeio do animal ao levantar-se pois ele se deita no chão para que se possa subir, literalmente escalando-lhes a barriga para depois sentar na pequena banqueta em sua corcova. Como as pernas são muito compridas, elas se dobram como um pantógrafo, com isso o movimento para levantar é como um zig-zag, a gente vai pra frente e depois para trás, resultado, tive de contentar-me em fotografar as corajosas, perdi a oportunidade e me arrependo até hoje... Essa da foto é fazendeira, habituada a cavalgar!                                                    


                                                                                                                             

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Muita informação... Cafarnaúm - Rio Jordão

ENTRADA DE CAFARNAÚM
MONTE DAS BEM-AVENTURANÇA
De Nazaré em diante, várias cidades foram mencionadas, anotei alguma coisa mas acabei me enrolando pois ou bem a gente olha ou escreve, resultado, tenho um monte de palavras soltas que não consigo juntar para que façam sentido, uma pena!
Dentre todas se destaca Cafarnaúm, onde Jesus passou a maior parte de sua vida pública e onde realizou muitos milagres. Aí também ficavam a casa de Simão Pedro e a Sinagoga do tempo dos bizantinos.
Embora haja controvérsia, foi também onde Ele realizou o Sermão da Montanha, no Monte das Bem-aventuranças.
Trata-se de uma colina que parece um jardim e transmite uma paz tão grande que eu seria capaz de ficar ali muito mais tempo que o permitido.
Com tão pouca informação, só me restou colocar algumas fotos para ilustrar a passagem. Dali seguimos para Betânia onde se realizou o Batismo de Jesus nas águas do Rio Jordão.

SINAGOGA

SINAGOGA DE CAFARNAÚM

COLUNAS DA SINAGOGA


Um muro de azulejos marcava a entrada para o Rio Jordão e contava em vários idiomas, o momento do Batismo de Jesus. Pena que não tinha em português...
Embora não fosse uma peregrinação, tivemos durante a viagem a companhia de um padre que realizou uma cerimonia revivendo o batismo, com a renovação das promessas e repetindo o gesto da água na cabeça de cada um do grupo.

Uma bata branca era exigida para quem quisesse entrar na água, só que a dita custava $10 e ninguém estava a fim de entrar naquela água gelada e ainda pagar pra isso mas, uma das companheiras resolveu arriscar, pediu para ser a última, paramentou-se toda, quase perdeu a vez porque se atrasou e ainda ficou danada pois pensou que era para mergulhar a cabeça como fazem algumas religiões! Quase morremos de rir... A cara de indignação que ela fez quando o padre não permitiu que ela mergulhasse, foi muito engraçada, por fim, desistiu e saiu nadando como quem diz: "Tô nem aí, vou aproveitar os meus $10"!                              

RIO JORDÃO